O
objetivo deste capítulo não é ensinar a promover primeiros socorros e sim
esclarecer quanto a sua execução que deve ser simples e com o objetivo de
salvar vidas, aliviar dores ou evitar complicações no exercício da pesca.
Para tal é necessário conhecimento prévios que deverão ser obtidos com o
serviço de salvamento do corpo de bombeiros ou com um médico de confiança. Na
pesca tanto embarcada quanto desembarcada podem ocorrer acidentes passíveis de
primeiros socorros, como por exemplo: Afogamento,
Câimbra, Calafrio,
Cólica Intestinal, Corpos Estranhos, Desmaio, Dor de Cabeça, Dor de Dentes,
Enjôo, Farpas, Ferimentos Com Anzol, Fraturas, Furadas de Peixes, Insolação,
Picadas de Animais Peçonhentos, Picadas de Insetos, Queimaduras, Soluços e
Tonturas dentre outros.
O
colete salva-vidas é imprescindível à pesca embarcada. Isto tanto para quem
sabe como para quem não sabe nadar. Entretanto, sabemos que por algum infortúnio,
um barco pode vir a virar ou mesmo alguém pode cair de um barranco sobre as águas
de qualquer rio. Desta maneira pode-se acontecer um afogamento. Neste caso, afaste
a causa ou a vítima da causa se for necessário; Verificar o nível de consciência;
retire da boca ou da garganta qualquer obstáculo para a livre passagem do ar;
Tire a dentadura postiça (se houver),
pontes e restos de alimentos; E faça a Respiração Artificial (ou
boca a boca ou boca a nariz); Recomece
a operação e prossiga num ritmo de 12 a 18 vezes por minuto; Encaminhe a vítima
para um Pronto Socorro e continue a técnica no percurso. Se não há pulsação,
outra pessoa deve simultaneamente efetua a Massagem Cardíaca.
Às
vezes, na pescaria pela constante ou permanente posição física gerando cansaço
ou má circulação, ou pela perda de água e sal na transpiração excessiva, e
até mesmo pelo despreparo condicional do pescador pode acontecer a câimbra.
Esta é a contração repentina, involuntária e dolorosa de um músculo ou
grupos de músculos. Portanto, se a câimbra se produzir nos membros, deve-se
comprimir o grupo de músculos afetados e por o membro numa posição diversa da
que faz sobrevir a câimbra. Também podem ser necessárias massagens suaves na
parte afetada ou, se esta se prolongar, aplicar fomentações quentes sobre a
região durante uns 20 minutos.
Nas
muitas horas de uma pescaria, o organismo do pescador pode apresentar a sensação
intensa de frio acompanhada de tremores advindas de um começo de alguma infecção
ou complicação do curso da mesma (pneumonia, gripe, erisipela, ferida
infeccionada, infecção das vias biliares ou urinárias etc). Ao pescador
com calafrio deve ser posto deitado, longe do chão, bem abrigado e aquecido;
Beber algum líquido quente (não alcoólico) e em caso mais grave tomar líquidos
por infusão. Ao transpirar e vir a sensação de calor deve-se diminuir o número
de cobertores. Após a transpiração é importante tomar-se um banho ou se
fazer uma fricção de álcool e trocar-lhe as roupas secas. Isto para gerar uma
sensação mais confortável.
Na
beira de qualquer rio são sempre notórias as descargas de gazes por parte de
todo pescador. E se, se tem certeza de que não se trata de uma apendicite nem
peritonite ou perfuração de víscera abdominal, é também possível acontecer
a qualquer pescador cólicas intestinais, seja devido ao excesso de líquidos
gelados, ou à precária alimentação, ou por alimentação pesada ou em mau
estado, ou, ainda, por problemas já existentes de prisão de ventre ou excessos
de gazes. Nestes casos, deve-se tomar um destes procedimentos: aplicar sobre o
abdome alguma coisa quente; Evacuar o intestino com um supositório de glicerina
(se necessário); provocar o vômito; tomar algum medicamento para dispersar os
gases. Na dúvida, chame um médico e não tome ou dê purgante.
Algumas
das vezes acontece enquanto no interregno da espera por sentir uma bela fisgada
do jaú, pintado, cachara, matrinchã, tucunaré, dourado... de algum cisco, de
sujeira trazida pelo vento ou de inseto (muriçoca, abelhinha, mosca etc.)
importunar ao pescador por adentrar no ouvido, nariz, boca, garganta e até nos
olhos. Quando importunamente isto vir a acontecer, proceda com um das seguintes
maneiras:
Não
esfregue. Se o objeto ou restos do inseto estiver em baixo na pálpebra superior
proceda assim: Segure os cílios puxando a pálpebra superior sobre a inferior.
O corpo estranho deverá ficar sobre a pálpebra inferior. Se isso não
acontecer, vire a pálpebra superior para cima sobre um palito limpo, ou um
cotonete. Remova o corpo estranho com a ponta de uma gaze, lenço ou cotonete.
Se o corpo estranho estiver sobre a pálpebra inferior, vire-a para baixo
removendo-o. Se o olho estiver com corte ou arranhão, ou se o objeto estiver
encravado, coloque gaze sobre o olho, prendendo-a com esparadrapo. Depois
procure ajuda médica.
Se
o corpo estranho deixar alguma irritação deve-se lavar os olhos com bastante
água limpa, soro ou pingar colírio. Se não parar, proceda como se o olho
estivesse com corte ou arranhão.
Provoque
o espirro, fazendo cócegas na outra narina ou usando pimenta ou assopre a
narina fechando a outra em processo de assoar. Assoe o nariz levemente e coloque
olé morno na narina. Não procure puxar o corpo estranho para fora, a menos que
este seja visível, próximo da entrada. Então com uma pinça ou grampo de
cabelo tente extraí-lo. Procure depois a ajuda médica. Se ocorrer algum
sangramento nasal deve-se proceder como para uma hemorragia nasal.
3.
Corpos Estranhos nos Ouvidos
No
caso de inseto, procure matá-lo enchendo o ouvido com azeite ou óleo (comestível
ou lubrificante caseiro) e deixe-o por alguns minutos. O óleo pode ser morno.
Depois vire a cabeça para que o corpo estranho e o óleo possam sair. Mantendo
a cabeça virada, proceda com a lavagem (uma seringa cheia de água morna fará
arrastar ambos para fora). Se o ocorrido for à noite, procure colocar uma luz
forte à entrada do ouvido, o inseto saíra e você sentirá o alívio. Se ele não
sair, proceda da primeira maneira. Se tal não acontecer, procure um médico.
Mas nunca tente pegar o inseto com uma pinça ou mesmo mata-lo enfiando um
cotonete, dedo ou algo parecido, pois pode se aprofundar mais no conduto
auditivo.
4.
Corpos Estranhos na Garganta
Segure
a vítima de cabeça para baixo ou com o tronco curvado o máximo possível para
frente e dê-lhe palmadas nas costas. Se o corpo estranho não for expelido,
leve a pessoa imediatamente para o médico. Se a respiração parar, comece logo
a fazer a Respiração Artificial.
Há
dezenas de causas capazes de provocar a perda dos sentidos, geralmente
passageira, em que se conservam a respiração e a circulação. Normalmente
isto é provocado por insuficiência sanguínea nos centros nervosos (cérebro e
bulbo etc.), seja por uma emoção intensa ou por cansaço na pescaria. A
lipotimia ou desmaio começa por se sentir debilidade, sensação de falta de
ar, tonturas, zumbidos de ouvidos e náuseas. Em seguida, sensação de
escurecimento da vista e da mente. Ao observa-lo se vê acentuada palidez de
rosto e a testa coberta de suor frio. Ao observar estes sinais, procure deitar o
colega a fim de evitar que se perca o controle dos músculos e se caia, com
perda parcial ou completa dos sentidos. Às vezes, nas formas mais leves, o
pulso se torna lento ou imperceptível. Ou, em formas mais intensas, o pulso é
rápido e fraco. A respiração mais lenta ou cessante e o olhar se torna vago e
vazio. Não podendo se evitar, proceda deitando a vítima com a cabeça mais
baixa que os pés, em lugar fresco e ventilado até que tenha boa cor e pulso.
Abra a camisa ou qualquer peça para facilitar a circulação sangüínea.
Estimule a respiração e a circulação com palmadas suaves no rosto e planta
dos pés; molhe com água fria o rosto; ou faça-o inalar algum sal aromático,
ou amoníaco aromático, ou um pano embebido no álcool ou em colônia. Se não
forem recobrados os sentidos, faça a Respiração Artificial, e se possível
injete via intramuscular ou sub-cultânea uma ampola de coramina, cardiazol (metrazol)
ou micoren. Procure ajuda médica.
Dor
de Cabeça (Cefalalgia
ou Cefaléia)
Sempre
é necessário em pescarias o uso de chapéu ou boné, e até mesmo de óculos
com lentes escuras a fim de evitar a claridade intensa ou os espelhos (reflexos
do sol sobre as águas). Outrossim, numa pescaria é comum se ficar durante
muito tempo em exposição ao sol ou mesmo, se estiver ou não sendo mui
proveitosa, o pescador ficar preocupado com as horas ou não se alimentar na
hora certa ou não fazer qualquer lanche, mas tão-somente, beber líquidos ou
até restringi-los. Às vezes é o problema no motor ou um outro qualquer. Isto
pode provocar a dor de cabeça. Muitas são as outras causas:
Procure tomar algum analgésico; ou coloque um pano de água fria ao
redor da cabeça. É importante determinar a causa da dor para tratá-la.
Procure aliviar o ventre.
Ir
ao dentista com periodicidade deve se tornar um hábito na vida de qualquer
pescador. Ou ao menos uma vez por ano deve-se comparecer ao dentista. Caso contrário,
pode ser que em um dia piscoso, o pescador seja acometido de uma inflamação da
polpa dentária em conseqüência de uma cavidade ou cárie, ou abscesso da raiz
do dente, ou ainda por uma nelvragia, e assim, a pesca deixe de ser-lhe agradável.
Porém, se há cavidade, encha-a com algodão impregnado com essência de cravo
ou por fenol ou creosoto. Se for uma dor nelvrágica, procure aliviar, a
depender do caso, ou aquecendo ou esfriando o local do incômodo. No caso de
abscesso procure tomar um analgésico, retorne da pesca urgentemente e vá a um
dentista o mais rápido. Evite continuar no sol e de cabeça baixa.
A
forma mais intensa de enjôo provocado pelo movimento de diversos meios de
transporte é habitualmente a que se produz nos barcos. À medida que aumentam
os movimentos transversais do barco ou os de proa para a popa, ou mais ainda os
debaixo para cima ou diversas combinações dos mesmos, aumenta em maior grau os
desagradáveis sintomas de enjôo. Às
vezes o pescador pode ser acometido pelo enjôo devido a ventilação
insuficiente, calor, agasalho excessivo, cheiros desagradáveis, prisão de
ventre, transtornos do tubo digestivo, álcool, nervosismo etc. Tais sintomas
podem ser de variável intensidade. Portanto é bom se ter um anti-histamínico
(dramamina) ou o cloridrato de meclinina (Marexina ou Bonamina) e toma-lo no
momento de zarpar o barco. Para evitar enjôos é necessário que o pescador
procure apoitar (ancorar) o barco em local de boa ventilação, além de
entreter-se ou distrai-se um pouco durante a pescaria, sem que a prejudique. E
ao menor sinal de enjôo procure deitar-se ou se esticar da melhor forma possível
no barco.
Ao
se aproximar de algum sara para amarrar o barco ou quando se vai abrir alguma
trilha, ou mesmo cortar galhadas para se procurar um melhor lugar no barranco,
ao pescador pode-lhe adentrar espinhos ou lascas. Portanto, fique sempre atento
aonde você apoita ou como ao cortar galhadas deve-lhe segurar. Caso contrário,
poderá ser incomodado por lascas e espinhos. Neste caso, você deve retirar com
uma pinça quando ficar alguma parte saliente. Ou, se esta saliência vier a se
quebrar, extraía-a com uma agulha desinfetada com álcool e depois faça uma
profilaxia com mercúrio e cubra com um band-aid ou algum outro tipo de
curativo. Agora, se a lasca ou espinho penetrou debaixo da unha, facilita-se a
sua extração cortando uma cunha da unha nesse lugar, e com uma agulha ou pinça
desinfetadas, extraia a estrepe e faça a profilaxia e o curativo.
“A
pressa é inimiga da perfeição”. Não adianta o pescador agir rapidamente no
manuseio da isca ou da troca do anzol a fim de não perder tempo, arriscando-se
a ser fisgado. Mantenha a calma, pois a pesca esta só começando. Entretanto,
por algum descuido pode-se ser fisgado em lugar de se fisgar um belo peixe. Também
é possível fisgar a um colega quando se vai arremessar o anzol, seja pelo
aglomerado de pescadores ou por causa da posição em que se encontra. De alguma
maneira, em se acontecendo o inesperado de ser fisgado, não se deve ficar com o
anzol. Neste caso, se não vazou do
outro lado e não for possível o seu retorno, deve-se proceder cravando-o ainda
mais até vazar; e depois, segurando com uma pinça, ou se corta a ponta ou se
lima o gancho que impede retrocesso. Agora é só retira-lo por onde se cravou.
Seja precavido, faça a desinfecção, a profilaxia e o curativo necessários.
Quase
todo pescador gosta de se afoitar um pouco nos praiões e geralmente descalços.
No Pantanal isto muitas vezes se torna um perigo. Não só por causa de jacarés
e piranhas, mas estes são também locais de arraias. Estas podem parecer dóceis,
no entanto, nos praiões de águas turvas, à caça, se tornam perigosas. É
assim que numa rabeada utilizam o ferrão na ponta da cauda ferindo o pescador
displicente e afoito. Isto pode acarretar em corte profundo ou não e que
merecem cuidados. Se este foi apenas superficial, de raspão, lave e faça uma
profilaxia e curativo. Depois vá a um médico para que analise e observe se será
necessário algum antiinflamatório. Mas se o corte foi profundo
e há sangramento na ferida,
deve-se proceder como nos casos de hemorragias externas. A hemorragia
externa pode ocorrer nos membros superiores (Braços) ou Inferiores (Pernas).
Estes são casos que você encontra com facilidade. Primeiro retire a vítima do
local para que não seja mais atacada. O sangue dentre das águas do Pantanal
atraem piranhas e outros animais carnívoros rapidamente. Deite-a imediatamente
e levante o braço ou a perna ferida e deixe assim o maior tempo possível.
Coloque sobre a ferida um curativo de gaze ou pano limpo e pressione. Amarre um
pano ou atadura por cima do curativo. Se continuar sangrando, faça compressão
na artéria mais próxima da região e, providencie auxílio médico. Ao cessar
a hemorragia, evite os movimentos da parte afetada.
A
fratura é o rompimento total ou parcial
de qualquer osso. Quando se está pescando em barrancos, o local pode ser de difícil
acesso, ou mesmo o pescador na procura de escolher um local mais inusitado, pode
escorregar ou despencar da onde se encontra ou para onde se está indo. Assim,
na queda, fraturas se tornam muito comuns. Estas podem ser fechadas
(quando a pele não é rompida pelo osso quebrado) ou expostas (quando o
osso atravessa a pele e fica exposto). A possibilidade de infecção neste tipo
de fratura é muito grande, e deve ser observada com atenção. As fraturas
podem ainda abranger ou não toda a espessura do osso. Entretanto, logo os
sinais e sintomas aparecem: Dor intensa no local e aumento ao menor movimento;
Inchaço no local; Crepitação ao movimentar (som parecido com o amassar de um
papel); Hematoma (rompimento de vaso, com acúmulo de sangue no local); e,
Paralisia por lesão de nervos. Nestes casos. não tente colocar o osso no
lugar, pois isto poderá causar complicações. Tente colocar os ossos numa posição
mais próxima do natural, lentamente, junto ao corpo; Só movimente o segmento
do corpo fraturado após sua imobilização. Esta pode ser feita com um pedaço
de madeira, cabo de vassoura, guarda-chuva, jornal enrolado ou outro material
estável. Deve-se imobilizar as articulações acima e abaixo do local
fraturado; Evite limpar qualquer ferida; qualquer movimento desnecessário poderá
causar complicações (exposição da fratura, corte de vasos ou ligamentos,
etc.); Aplique gelo para reduzir a inflamação; e, Procure um Serviço de Saúde
para avaliação e tratamento adequados.
No
Pantanal Mato-grossense encontramos muitas espécies de peixes (amarelão,
bagres, mandi etc.) possuidores de ferrões para defesa própria quando ameaçados.
Uma vez que não escolhemos o peixe desejado, são fisgadas espécies tais que
exigem maiores cuidados quando da retira do anzol. Alguns, os pescadores após
cortarem os ferrões, são devolvidos ao rio tornando-se indefesos. É nesse ínterim
que ao menor descuido pode acontecer a ferroada. Acontecendo, a dor é muito
forte e semelhante a uma furada de prego, mantendo-se alternadamente em forma de
impulso aumentando e diminuindo. Quando a perfuração for superficial basta uma
rápida profilaxia e um curativo (a fim de se evitar o tétano). Mas quando a
perfuração é mais profunda, muitas vezes de início não sai sangue devido o
choque, o que se requer certa massagem para o fluxo retorne. Mas não gere uma
hemorragia. Depois que o sangue do local escorrer, limpe o local, estanque o
resto do sangue e coloque sobre a ferida
um curativo de gaze ou pano limpo e pressione. Depois amarre um pano ou atadura
por cima do curativo. Ao cessar a hemorragia, evite os movimentos da parte
afetada. Se o incômodo da dor em fluxo persistir, tome algum analgésico para
alívio. Depois
vá a um médico para que analise e observe se serão necessários suturar e
algum antiinflamatório. Se continuar
sangrando, faça compressão na artéria mais próxima da região e, providencie
auxílio médico.
Na
natureza encontramos milhares de espécies de insetos. No Pantanal isto se torna
mais belo ainda. Quando estamos pescando seja embarcado ou no barranco
encontramos à nossa volta abelhas, vespas, mosquitos, lagartas, borboletas,
besouros e formigas em sem números. Desta forma acidentes com insetos se tornam
mais propensos. Portanto deve-se usar repelentes a insetos. Em todos os casos não
há tratamento específico. As medidas a serem tomadas são as seguintes:
retirada parcial do veneno e combate à dor com uso de analgésico. E em casos
mais agudos ou de hipersensibilidade o uso de anti-histamínicos, analépticos,
adrenalina e Fenergan são recomendados, por via oral ou injetável, a depender
do caso.
Algumas
das abelhas não costumam atacar em enxame e suas picadas produzem dor, inchação
e vermelhidão sem outras conseqüências. Mas quando se é sensibilizado,
qualquer um pode ao ser picado ter choque anafilático e morrer com edema da
glote. Se for picado freqüentemente pode ficar imunizado. Na picada o ferrão
com a glândula de veneno ficam cravados na pele.
Durante
o dia são muito agressivas ao serem irritadas. Neste caso o ferrão não fica
encravado na pele e suas picadas produzem dor, inchação e vermelhidão sem
outras conseqüências, podendo se ficar sensibilizado.
Especialmente
os borrachudos têm substâncias tóxicas que produzem irritação da pele,
formando pápulas e edema, além da coceira. Quando há infecção no local da
picada é devida à contaminação no ato de coçar. Quanto menos se coçar
melhor. Use passar um pouco de álcool no local para alívio da coceira.
As
lagartas lisas (mandorovás) não possuem veneno. As peludas (taturanas) têm
entre os pêlos pequenas agulhas ligadas a uma glândula de veneno. Uma vez o
veneno inoculado, é produzida uma sensação imediata e intensa de queimadura
seguida de inchação, vermelhidão e febre. Proceda retirando a pessoa do
contato com a causa da queimadura. Em seguida mergulhe a área afetada em água
limpa ou em água corrente até aliviar a dor. Alivie ou reduza a dor e previna
a infecção. Não rompa as bolhas. Se as bolhas vierem a se romper, não
colocar em contato com a água. Não aplique pomadas, líquidos, cremes e outras
substâncias sobre a queimadura. Estas podem complicar o tratamento e necessitam
de indicação médica. Encaminhe posteriormente à assistência de saúde para
avaliação e tratamento. Se o número de lagartas for muito grande pode haver
envenenamento grave e até mortal. Elas produzem a destruição dos glóbulos
vermelhos do sangue. Procure urgentemente um hospital.
As
mariposas têm na superfície do corpo ou das asas pêlos pequenos, que ao serem
apertados contra a pele deixam pontos irritados semelhando doenças eruptivas,
ou entrando em contato com as mucosas produzem irritação acentuada sem maiores
conseqüências. Basta lavar o local com bastante água.
Estes
geralmente não têm veneno, porém há alguns (cantáridas) que possuem substância
irritante para a pele, além de outros efeitos sobre o organismo. Basta lavar o
local com bastante água ou aplicar um pouco de álcool.
Algumas
formigas (lava-pé etc.) produzem picadas dolorosas sem maiores conseqüências.
Basta lavar o local com bastante água ou aplicar um pouco de álcool.
Insolação ou
prostração pelo calor
É
muito comum em uma boa pescaria se prolongar à exposição do sol qualquer
pescador. Desta forma podem surgir sintomas de prostração pelo calor ou de
insolação. No caso da prostração há palidez e pele úmida, pulso rápido e
fraco, fraqueza, dor de cabeça, náuseas, câimbra no abdômen ou nas pernas.
Diante disto, retire a vítima do local para um lugar fresco e deite-a com a
cabeça na mesma altura ou mais baixa que o corpo. Evite que sinta calafrio. Se
ela estiver consciente, dê-lhe água com sal (uma colher de chá de sal para um
litro de água) e leve-a a um médico. No caso da insolação a pessoa apresenta
pele quente ou vermelha, pulso rápido e forte, e inconsciência. Neste caso
proceda retirando a vítima do local para um lugar fresco e deitando-a com a
cabeça na mesma altura ou mais baixa que o corpo, evitando que sinta calafrio,
refresque seu corpo respingando-o com água fria ou colocando panos molhados em
água fria. Se ela estiver consciente, dê-lhe água com sal (uma colher de chá
de sal para um litro de água) e leve-a a um médico.
À
caça de jacarés qualquer pescador pode ser acometido de um ataque. E em
lugares com muitos jacarés, até mesmo se o pescador não estiver à caça, mas
apenas pescando, após a fisgada de um peixe e se proceder com seu recolhimento,
algum jacaré pode vir em encalço do peixe fisgado e, já próximo do barco, na
hora em que for retirado o peixe para fora d’água, pode acontecer o ataque
inesperado à mão do pescador. Onde a mordida de jacaré é mais freqüente. Se
o animal for grande os ferimentos poderão ser extensos com acentuada dilaceração
de tecidos. Neste caso deve-se colocar
sobre a ferida um curativo de gaze ou pano limpo e pressionar. Depois amarre um
pano ou atadura por cima do curativo. Se continuar sangrando, faça compressão
na artéria mais próxima da região e
providencie urgentemente levar a vítima a um médico para tratamento adequado.
São
muito comuns envenenamentos causados por picada de animais peçonhentos,
facilmente encontrados em qualquer parte do Brasil, como escorpiões, aranhas e
serpentes. O Pantanal não está isento deles. Esses animais inoculam ativamente
sua peçonha no homem, que produz sintomas que variam segundo a espécie,
quantidade de veneno injetado, condições de nutrição, peso e altura
individual.
Os
escorpiões, dentre os aracnídeos, são os que mais freqüentemente causam
acidentes. Os escorpiões são pouco agressivos, têm hábitos noturnos e são
encontrados em pilhas de madeiras, cercas, tijolos, cupinzeiros. Sapatos e botas
são ótimos esconderijos. Quando acampar no Pantanal procure manter a barraca
totalmente fechada e antes de calçar-se pela manhã verifique seu calçado.
Pois o veneno escorpiônico ataca o sistema nervoso e é um veneno potente e
pode provocar a morte. Os sinais e os sintomas freqüentes
são: dor (moderada ou intensa) ou formigamento no local da picada, com
tendência a se espalhar para regiões vizinhas. Você deve tratar
com analgésico ou bloqueios anestésicos locais, além de observar se haverá o
surgimento de outros sintomas por, no mínimo, 6 a 12 horas. São
sintomas de gravidade que merecem ser observados com atenção: a queda
da temperatura do corpo, o suor excessivo, aumento da
freqüência cardíaca (taquicardia) e da pressão
arterial, enjôo e vômitos, tremores e salivação. Neste
caso, procurar atendimento hospitalar o mais rápido possível, mantendo o
paciente em repouso, para avaliação da necessidade de soroterapia anti-escorpiônica.
E se possível, leve o animal para identificação.
Este
é um animal tão comumente encontrado que nem mesmo nos damos conta do perigo
que ele pode representar. Isto acontece porque nem todas as aranhas representam
perigo de vida. Os tipos que representam maiores perigos são: Aranha Marron –
Loxosceles; Armadeiras – Phoneutria; Tarântulas – Lycosa; e
a Caranguejeira. Após as picadas de Aranhas e Escorpiões evite que o paciente
se movimente muito; Não fazer torniquete no membro acidentado; Aplique as
compressas frias (10 a 15 ºC) nas primeiras horas; Aplique respiração
artificial, caso a pessoa não estiver espirando bem; e, Encaminhe ao serviço médico.
Procure evitar
acidentes por aranhas e escorpiões manter o acampamento limpo. Evite o acúmulo
de entulhos e lixo doméstico nas proximidades da barraca.
Evite
folhagens densas junto das barracas.
Sacuda roupas
e sapatos antes de usa-los.
Não ponha a
mão em buracos, sob pedras ou sob troncos "podres".
O uso de calçado
e de luvas pode evitar acidentes.
Vede bem as
entradas das barracas ao escurecer.
Previna-se e não retornará
mais cedo da pesca por este motivo.
Este
O grau de toxicidade da picada depende da potência, quantidade de veneno
injetado e do tamanho da pessoa atingida. No Brasil, a maioria dos acidentes ofídicos
é devida a serpentes dos gêneros Botrópico, Laquético, Crotálico e Elapídico.
As picadas de cobras, a depender da espécie, geralmente provocam dor
imediata, Inchaço, calor e vermelhidão no local picado,
hemorragia no
local da picada ou distante dela, dificuldade em abrir os olhos; "visão
dupla" ou "visão turva";
dor muscular;
urina avermelhada, "cara de bêbado";
falta de ar;
dificuldade em engolir;
insuficiência
respiratória aguda;
Após 6 -
12 horas:
escurecimento
da urina. As complicações são:
Bolhas,
gangrena e abscesso,
Insuficiência
renal aguda. Em caso de picada acabou-se a pescaria; dirija-se
urgentemente a um serviço médico.
Não perca
tempo em fazer tratamento local. Porém,
como medida de primeiros socorros, até que se chegue ao serviço de saúde para
tratamento, recomenda-se:
Trazer, se
possível, a serpente causadora do acidente;
NÃO amarrar ou fazer torniquetes, o que impede a circulação do sangue,
podendo produzir necrose ou gangrena.
NÃO colocar
nenhuma substância, folhas ou qualquer produto na picada.
NÃO cortar
ou chupar o local da picada.
NÃO dar
bebida alcoólica ou querosene ao acidentado.
Manter o
acidentado em REPOUSO, evitando que ele ande, corra ou se locomova
pelos próprios meios (principalmente se picado no membro inferior),
o que facilita a absorção do veneno. No caso de picadas em braços ou pernas,
é importante mantê-los em POSIÇÃO MAIS ELEVADA.
Sempre há uma
maneira de transportá-lo. Leve
o acidentado para o centro de tratamento mais próximo, para receber soro próprio
que neutralize o efeito do veneno. A fim de prevenir
os animais peçonhentos, Não ande
descalço quando for pescar. Não mexer em buracos no chão ou em paredes. Olhe
bem para o chão da trilha e nas árvores quando estiver caminhando. Tenha
cuidado com montes de folhas ou cupim seco, e com mato ao seu redor quando
estiver pescando no barranco. Lugares onde aparecem muitos roedores (ratos) são
os melhores para as cobras se alimentarem. Portanto, observe se a choupana em
que você vai ficar existe algum sinal deles. Mantenha o acampamento limpo; não
deixe perto da barraca restos.
OUTROS
ANIMAIS (Terrestres)
À
semelhança dos insetos, no Pantanal encontramos também milhares de espécies
de outros animais como, por exemplo, sapos, lacraias, centopéias, carrapatos
etc. enquanto estamos pescando seja embarcado ou no barranco ou mesmo a dormir
no pernoite pantaneiro. Desta forma acidentes com tais animais podem acontecer.
Em todos os casos não há tratamento específico. As medidas genéricas a serem
tomadas são as seguintes: retirada parcial do veneno e combate à dor com uso
de analgésico. E em casos mais agudos ou de hipersensibilidade o uso de
anti-histamínicos, analépticos, adrenalina e Fenergan são recomendados, por
via oral ou injetável, a depender do caso.
Os
sapos são muito comuns no Pantanal. E todos os sapos possuem um ou mais pares
de glândulas que contêm um veneno branco ou amarelo muito viscoso. O sapo
quando apertado expele o veneno que esguichado pelos poros, em contato penetra
pelas mucosas e em grande quantidade pode ser mortal. No simples manuseio não há
perigo. E as rãs não possuem veneno. Caso aconteça o tal esguicho, basta
lavar bem com bastante água o local afetado. Em caso mais grave deve-se
procurar o socorro médico.
Estas
são facilmente irritáveis e agressivas; ao picarem inoculam o veneno. Este
pode produzir dor ou reação local sem outras conseqüências, no Brasil. Basta
lavar o local com bastante água e aplicar um pouco de álcool depois.
A
maioria tem substâncias irritantes que liberam principalmente quando removidos.
Assim, provocam coceira e pequena inflamação. Os micuins que são muitos
pequenos produzem irritação muito mais intensa e demorada, chegando a provocar
febre. No Brasil não existem espécies que causem paralisias temporárias. Após
remove-los lave o local com bastante água e, depois, aplique um pouco de álcool.
No
patrimônio ecológico da humanidade, o Pantanal, é proibido deixar acessa
fogueira de qualquer tipo ou mesmo jogar ponta de cigarro ou qualquer objeto que
ao efeito do calor cause explosão ou incêndio. Entretanto, com cuidado, o
pescador assar sua carne ou seu pescado quando está acampado em algum local
pantaneiro. Com isto podem acontecer queimaduras físicas (raios solares,
fogo, vapores, na retirado do motor de popa etc.) ou químicas (produtos
corrosivos, ácidos ou bases fortes). As queimaduras podem ser de Primeiro
Grau: Quando
a lesão é superficial, provocando apenas a vermelhidão da pele, sem formar
bolhas; de Segundo Grau: Quando a lesão é mais profunda, provocando a
formação de bolhas; ou de Terceiro Grau: Quando a pele é destruída e
são atingidos músculos e/ou órgãos internos do corpo. Em qualquer dos casos,
retire a pessoa do contato com a causa da queimadura. Quando esta for por agentes
químicos: lave a área queimada com bastante água, retirando a roupa se
ainda contiver alguma substância. Se for por Fogo apague de forma
adequada (extintor apropriado, areia, água ou outro). Pode-se abafar com
cobertor ou rolar o acidentado no chão. Não correr. Verificar se a respiração,
o batimento cardíaco e o nível de consciência estão normais. Alivie ou
reduza a dor e previna a infecção mergulhando a área afetada em água limpa
ou em água corrente até aliviar a dor. Não rompa as bolhas ou retire roupas
queimadas que estiverem aderidas à pele. Se as bolhas estiverem rompidas, não
colocar em contato com a água. Não aplique pomadas, líquidos, cremes e outras
substâncias sobre a queimadura. Estas podem complicar o tratamento e necessitam
de indicação médica. Se a pessoa estiver consciente e sentir sede, deve
ser-lhe dada toda a água que deseja beber, lentamente e com cuidado. Encaminhe
logo à assistência de saúde, para avaliação e tratamento.
Sempre
que o pescador for a qualquer pescaria deve levar consigo alguma pastilha ou
bala para alívio de garganta, língua, laringe, faringe etc. Outrossim, o
aparecimento de gases no intestino ou estomago podem provocar soluços a quem
pesca. Embora sejam resultados de causas reflexas, esta contração repentina e
involuntária do diafragma torna-se incômoda em sua persistência. Neste caso
experimente o seguinte: Respiração rápida e profunda durante algum tempo;
Fazer respirar em um saco de papel ou reter por algum tempo a respiração;
Tracionar a língua para adiante, ou deprimir sua base com o cabo de uma colher;
Engolir rapidamente e sem respirar um copo de água; ou, Provocar o vômito ou
fazer lavagem do estomago. Se o soluço não ceder e persistir vá a um médico
para tratamento mais enérgico.
A
tontura pode ser causada por anormalidade no ouvido, causas oculares, pressão
arterial, transtornos do fígado ou do estomago dentre muitos outras causas.
Qualquer pescador que se preze pode ser acometido por alguma destas causas em
meio a uma pescaria. Portanto, (não por motivo alcoólico – e o melhor é
sempre numa pescaria evitar qualquer tipo de bebida alcoólica) ao se sentir
tonto deite-se e feche os olhos em lugar bem ventilado. Mas se as vertigens se
repetirem com freqüência e forem intensas, pare sua pescaria e vá a um médico
para determinar a causa e o tratamento do mal.