| INTRODUÇÃO | HABITAT | BIOLOGIA | |
| REPRODUÇÃO | VALOR NUTRITIVO | ||
A palavra peixe vem dos gregos com o uso de “ichtyes”. Daí ictiologia ser o estudo científico dos peixes. Porém, o nome comum “peixe”, deriva do latim “pisces”. Mas, desde os primórdios da civilização o peixe tem um significado muito especial. O peixe e a pesca significam sustento abundante, dieta rica e, economicamente, o mais viável recurso para subsistência, pois a própria natureza se incumbe de fornece-lo gratuitamente. Entretanto, a falta de conhecimentos sobre uma convivência harmoniosa e o uso de formas predatórias de pesca, faz com que órgãos específicos nos levem à conscientização e ao conhecimento gestor de uma sábia relação entre o ser humano e o ambiente. Hoje há Lei da Pesca no Brasil garantindo a vida da ictiofauna de nossos rios, eliminando a pesca predatória e assegurando a sobrevivência dos pescadores artesanais.
Os peixes são animais vertebrados e aquáticos, respiram através de brânquias ou guelras. Nadam por meio de nadadeiras e são animais de sangue frio, oscilando de acordo com a temperatura do ambiente. Existem muitos formatos de peixes, geralmente com forma hidrodinâmica que lhes permite melhor desenvoltura dentro da água. Os peixes podem ser encontrados em vários ambientes: água doce, salobra, salgada, quente ou fria. Os peixes de água doce mais comuns são os peixes ósseos. Muitos possuem escamas para protege-los de choques e ferimentos, além de dar-lhes maior rigidez e capacidade de deslizamento na água. Há também entre os tais os que não tem escamas, são os peixes de couro. Estes possuem um muco espesso e viscoso que os protege. Além destes existem os cartilaginosos, como as arraias. Nos peixes ósseos existe um saco para armazenar gases (bexiga natatória) que aumenta quando o peixe vem à tona e diminui quando desce ao fundo. A linha lateral é uma estrutura presente nos dois lados do corpo do peixe, com função sensorial: permite a percepção de vibrações, pressões, além de informa-lo sobre correnteza, temperatura etc.
O peixe caça se orientando pelo olfato, visão e pelas ondas sonoras em vibração na água. Há peixes de hábitos diurno e noturno. E os Peixes de água doce podem ser divididos em dois grupos, os fluviais e os lacustres. Os fluviais têm o corpo adaptado à natação em águas correntes e velozes, sendo musculosos e fortes. A maioria dos peixes fluviais é ictiófago (alimentam-se de outros peixes). Mas há os que são vegetarianos ou até comedores de microorganismos do lodo.
Os peixes lacustres têm hábitos tranqüilos, são maus nadadores e na sua maioria vegetarianos. Não são exigentes quanto à oxigenação da água e resistem bem a águas carregadas de matéria orgânica. Alguns possuem respiração acessória e conseguem sobreviver na época das secas enterrando-se no lodo, onde a umidade os mantém vivos até a próxima estação chuvosa.
Os peixes da região tropical, em sua maioria, reproduzem-se na estação chuvosa quando os rios sobem ou transbordam. São peixes que desovam uma vez por ano: pintado, cachara, curimbatá, piraputanga, pacu e dourado. Mas há aqueles que reproduzem mais várias vezes por ano, como por exemplo, o lambari e o cara-açu. Os peixes são ovíparos. Uns Produzem uma grande quantidade de ovos e outros uma pequena. Em algumas espécies o macho, no período da reprodução, apresenta um dimorfismo sexual, desenvolvendo uma calosidade na nuca e rituais de corte, que precedem a desova em várias espécies. Alguns peixes fazem ninho e outros carregam os ovos na boca. A fecundação dos ovos na maioria das espécies é externa e em algumas é interna. Nestas espécies os machos possuem sua nadadeira anal transformada em órgão copulador (claspers), que deposita o sêmem na fêmea. A eclosão dos ovos ocorre em questão de horas (10 a 15 horas) dependendo da temperatura da água.
Piracema – É conhecida como a migração dos cardumes. Ocorre no período das chuvas. O esforço dos peixes, na subida, aumenta a produção de hormônios sexuais que induzem a postura e fecundação dos ovos. Através da corrente dos rios os ovos são transportados para lagoas nas margens ou áreas inundadas do baixo curso, onde nascem os filhotes. Esses locais possuem uma grande disponibilidade de alimento e refúgio, garantindo a sobrevivência dos alevinos (filhotes de peixes).
Lufada – Quando começam a baixar o nível das águas nas áreas de inundação, os peixes pequenos (piquira, lambari, chum-chum e outros) voltam para os rios e são perseguidos pelos peixes maiores que se alimentam deles, numa corrida pela vida. Na Bacia do Paraguai, em Mato Grosso, esta movimentação inicia em meados de março e tem seu auge no mês de maio.
Os peixes ocupam vários níveis ou gradientes de profundidade de água. Cada nível é um ambiente com características próprias (habitat), como: luminosidade, velocidade de água, recurso alimentar disponível etc. Os peixes que ocupam determinado habitat no rio apresentam adaptações e estratégias de sobrevivência diferenciadas (fisiológicas, morfológicas e comportamentais). Podemos classificar os rios conforme suas zonas geográficas: alto curso, médio curso e baixo curso. E ainda em três principais níveis: flor d’água, meio e águas profundas.
Alto Curso – Áreas de nascentes, córregos e ribeirões na maioria das vezes em planaltos, caracterizadas por corredeiras rápidas, águas claras e frias, bem oxigenada, com poucos habitats. Nela há menor número de espécies de peixes.
Médio Curso – Área em que os rios têm velocidade da água diminuída pela menor declividade, alguns lagos são vistos a suas margens ou remansos, criados pelas mudanças de leito. Os rios da Amazônia em Mato Grosso já apresentam grande largura de leito e maior volume de água nesta zona.
Baixo Curso – Área de grandes rios, pequena declividade com correntes lentas, grande número de habitats e espécies de peixes.
Superfície ou Flor d’água – Zona onde se desenvolvem os microorganismos (plâncton) que são base da cadeia alimentar de peixes. Outros vertebrados, entre eles, serpentes, tartarugas, peixe-boi, ariranha, jacarés etc. convivem com os peixes desta zona, que se alimentam preferencialmente de plâncton, insetos ou frutos da mata ciliar. É neste habitat que os alevinos se refugiam, alimentam e se desenvolvem.
Meio d’água – Zona de profundidade mediana onde vive a maioria dos peixes.
Profunda ou Zona de Fundo – Nela vivem os peixes detritívoros (se alimentam de resíduos e matérias mortas), como cascudos e o curimbatá que se alimentam de substâncias em decomposição; e os peixes carnívoros, como o pintado, jaú, piraíba (filhote), arraia etc. e também crustáceos, insetos e moluscos podem ser encontrados.
Os nutrientes são substâncias presentes nos alimentos necessários ao desenvolvimento e manutenção do corpo. Divide-se em seis classes de acordo com suas estruturas químicas: proteínas e aminoácidos, gorduras e ácidos graxos, carboidratos, elementos minerais, vitaminas e água. E segundo suas funções no organismo são classificados em três categorias: que fornecem energia (carboidratos, gorduras e proteínas), que constroem e mantém os tecidos (água, proteínas, minerais, gorduras e carboidratos) e que regulam as funções corporais (água, minerais, vitaminas, gorduras e carboidratos).
As proteínas são indispensáveis para uma dieta equilibrada. Nos peixes o conteúdo de proteínas na carne varia de 15 a 24% e apresenta alta digestibilidade (digestão rápida e bem aproveitada pelo corpo) por não deixar resíduos no trato digestivo. O nível de colesterol presente em seus músculos é baixo. Seu teor de vitamina B se aproxima ao da carne dos mamíferos e ainda garante vitaminas A e D. O iodo é um mineral encontrado principalmente em peixes que apresentam significativas quantidades de cálcio, fósforo, ferro etc. Tudo isto só traz vantagens.