Todo
e qualquer tipo de alimento, causa algum estímulo positivo ou negativo ao
peixe, fazendo com que este se apresente ou não à nossa isca, seja ela natural
ou artificial. Sempre que se programa uma pescaria a grande preocupação está
relacionada com a quantidade ou com o tamanho daqueles que serão capturados,
quando na verdade deveríamos antes nos preocupar com as reações dos peixes em
relação as iscas que serão apresentadas.
Os estímulos dos peixes têm como sentido a visão, olfato, audição, linha
lateral, tato e paladar estes sentidos podem ser estimulados da forma a seguir:
1-
VISÃO: AÇÃO DA ISCA,
COR DA ISCA, TAMANHO e FORMA E MODELO DA ISCA
2-
OLFATO: AROMA
3-
AUDIÇÃO: SOM
4-
LINHA LATERAL: VIBRAÇÃO
5-
TATO OU PALADAR: TEXTURA
E SABOR
O
que queremos dizer com isso, é que na maioria das vezes subestimamos a
capacidade e sentidos de um peixe, fazendo da pescaria um mero caso de sorte ou
azar, quando na verdade é necessário conhecer os hábitos e costumes da espécie
que queremos capturar, para que possamos utilizar a isca adequada ao peixe e à
época.
Esse
sentido dos peixes é extremamente discutido e cheio de controvérsias. O que
importa para nós pescadores, é que devemos usar todos os recursos disponíveis
para que o peixe tenha uma visão de nossas iscas como algo tentador, ou seja,
devemos levar em consideração que o peixe é muito sensível às variações
da luz, por exemplo, os excessos de brilho em dias muito claros poderão ser
repelentes e não atrativos como imaginamos. Discute-se muito a respeito de que
o peixe não distingue cores (?), no entanto a cada dia que passa acrescentamos
mais anilinas em nossas iscas naturais, e o mercado de iscas artificiais possuem
prateleiras cada vez mais coloridas. Um grande número de pesquisadores afirma e
diz comprovar que os peixes de um modo geral distinguem cores e que detectam
variações imperceptíveis ao olho humano, contudo em outra escola há quem
afirme que o animal enxerga somente o preto, o branco e suas variações. Enfim
controvérsias.
O
importante é que devemos considerar que à visão do peixe os elementos se
caracterizam por uma silhueta e que esta tem cor, forma e tamanho, e que este
sentido é estimulado em primeiro lugar pelo movimento, em seguida sua forma e
depois a cor.
Os
peixes de forma geral embora não tenham nariz, possuem fossas nasais onde suas
paredes são dotadas de células ligadas às fibras do nervo olfativo que é
extremamente desenvolvido nos peixes. Este apontamento é de grande importância
no transcorrer de uma pescaria, pois poderemos de forma inconsciente apresentar
odores ao peixe que poderão atrair ou repelir.
CHEIROS
QUE REPELEM: Fumo,
Combustível e Lubrificantes
CHEIROS
QUE ATRAEM: Iscas
vivas passando por dificuldades, Algumas essências, Peixes e Camarões Etc.
Além
dos atrativos e repelentes citados certamente existem inúmeros mais. No entanto
o mais importante dos odores é gerado pelo próprio peixe, ou seja, algumas espécies
quando submetidas a um alto nível de stress exalam uma substância chamada
schreckstoffen que funciona como um repelente ou talvez como uma forma de
alertar aos demais da sua espécie quando o perigo está presente.
É
perfeitamente possível perceber tal fato, quando nos encontramos em um
pesqueiro muito produtivo e em dado momento, após uma briga, o nosso peixe
escapa do anzol, fazendo assim do local onde pescamos totalmente improdutivos.
Com isso não queremos dizer que somente o cheiro repele, mas este, somado aos
movimentos de fuga, faz com que se crie um ambiente impróprio para a pesca por
algum tempo.
Embora
o peixe não possua orelhas, e sim opérculos, possuI ainda ouvido interno, que
faz com que ouça vibrações. Os peixes conseguem ouvir sons que variam de 30
à 3.000 vibrações por segundo, (a termos de comparação o homem até
30.000), no entanto a velocidade do som no ar se propaga a 340 m/s e na água a
1.400 m/s isto quer dizer que embora o peixe ouça menos que o homem ele capta
essa informação de forma muito mais rápida. Além da função de ouvir esse
órgão também é responsável pela orientação e equilíbrio do peixe.
A
linha lateral e o nervo lateral estão intimamente relacionados e constituem
sensores de fundamental importância, pois através destes é permitido ao peixe
o sentido do tato, captando as menores vibrações como de um inseto que cai na
água, por exemplo, ou ainda do movimento da própria água.
Os peixes de modo geral têm o paladar bastante aguçado, isso se justifica pelo número de tubérculos que ocupam sua boca, bem como, se distribuem ao longo do corpo inclusive em sua nadadeiras. E como o meio aquático tem a capacidade de transportar e espalhar as partículas responsáveis pela sensação de sabor, faz com que estas sejam levadas ao peixe e em contacto com tais tubérculos faz com que o animal sinta-se atraído ou repelido pelo paladar que esta sentindo.
A capacidade de sentir mais ou menos o sabor varia entre as diversas espécies, os peixes predadores, por exemplo, tem o hábito de abocanhar suas presas sem saboreá-las, provavelmente por ter essa capacidade menos desenvolvida, ou procuram sentir seu sabor com mais intensidade após inutiliza-las, caso contrário atacariam qualquer presa o que não ocorre, ou seja, os peixes são capazes de sentir o gosto (paladar) à distância.
O assunto “ESTÍMULOS E SENTIDOS DO PEIXE” brevemente comentado é extremamente longo e complexo cabendo ser comentado por especialistas no assunto. O objetivo deste texto é trazer um pouco de informação sobre o peixe, e fazer com que tenhamos condições mesmo que mínimas de avaliar um dia de pescaria. É claro que não são somente estes os itens a observar, mas é um início. Outro aspecto importante a ser observado é que o peixe é um ser vivo e que a cada dia que passa esta se adaptando as novas realidades que o progresso impõe ao seu ambiente, fazendo com que mude o seu comportamento de maneira extremamente rápida.
A
pesca não é um caso de sorte ou azar, observe, pesquise, estude procure se
adaptar as novas situações impostas pelo dia a dia e nunca deixe de observar
os fatores naturais.