Isto
é mito. Na opinião de cientistas, o peixe é um indivíduo bastante míope.
Sua visão é de apenas alguns metros e mesmo assim ele não consegue distinguir
com perfeição o objeto ou pessoa visualizada. Este mito se origina com maior
freqüência devido ao fato de que, quando os peixes estão no raso, com a
aproximação do pescador, fugirem rapidamente. A verdade, no entanto é que o
peixe não viu, mas sim ouviu o pescador chegando. O ruído dos passos nas
margens é que assusta os peixes. Faça uma experiência. Quando o peixe fugir,
sente-se em silêncio e sem movimentos e veja como o peixe irá retornar
lentamente ao local onde estava. Conseguir ver o pescador, portanto, é mito.
Que o digam os pescadores submarinos, pois se os peixes enxergassem bem, não
ficariam à mercê dos arpões.
O
barulho atrapalha a pescaria?
Isto
é realidade. Apesar de não ver cores e não enxergar bem, o peixe possui audição
10 vezes superior à de qualquer animal terrestre. Assim sendo, realmente o
barulho atrapalha e muito a pescaria; que tanto pode ser em margem ou embarcada.
Porém, convém salientar que são determinados ruídos que atrapalham mais. Por
exemplo, em um barco, o cair de um remo ou então de um outro objeto qualquer
produz ruídos ensurdecedores embaixo da água. Já o ruído do motor não é tão
prejudicial assim, pois caso contrário, as pescarias de corrico seriam bastante
prejudicadas. Nas margens, o ruído que mais atrapalha são as pisadas do
pescador durante as pescarias, andando de um lado para o outro. Já conversas não
atrapalham a pescaria, seja ela de barco ou de barranco. Finalizando, diríamos
que determinados barulhos atrapalham e outros não. Um exemplo disso é que em
nosso litoral é comum ver-se pescadores profissionais que antes de tarrafear
uma área, jogam primeiro uma pedra na água para depois jogar sua rede. Segundo
eles, devido ao barulho da pedra, o peixe vem ao local para verificar o que foi
que caiu dentro da água. Tem fundamento.
Iscas
em contato com produtos estranhos...
A
maior preocupação do pescador que pesca embarcado é não tocar a isca quando
mexeu em gasolina. Esse cuidado tem fundamento, não só com relação à
gasolina como também com outros produtos usados freqüentemente pelo pescador.
Entre esses destacamos: desodorante, perfume, sabões, sabonetes, detergentes,
etc. Mas que fique bem clara uma coisa, visto que o peixe tem seu olfato junto
com o paladar: só quando ele põe a isca na boca é que sentirá o gosto dos
produtos estranhos. No caso de iscas artificiais, tais produtos não atrapalham,
e a maior prova disso é que as tintas usadas nas iscas, bem como o verniz, na
maioria dos casos é à base de petróleo. No caso de iscas naturais, e só
nestas, esses produtos atrapalham, pois o peixe antes de engolir a isca,
apalpa-a na boca e assim o seu olfato/paladar acusa o gosto estranho. Sabendo
disso, caem por terra todos os mitos dos produtos para atrair peixes, e mais:
segundo os cientistas, só o tubarão consegue distinguir os cheiros de
determinadas substâncias dentro da água.
Qual
a maneira correta de iscar um anzol?
Esse
é um dos maiores mitos na pescaria. Não é verdade que a ponta do anzol não
pode aparecer. Vamos raciocinar juntos. Enquanto se procura esconder a ponta do
anzol na isca, o cabo do anzol e às vezes até o encastoado, ficam para fora.
Será que o peixe sabe o que é ponta e o que é cabo de anzol? É evidente que
não. O anzol não atrapalha em nenhuma hipótese o ataque do peixe à isca. Uma
isca morta pode ser iscada de qualquer maneira, desde que fique firme no anzol.
Já uma isca viva deve ser iscada de maneira que continue viva. Assim sendo,
temos, no caso de pequenos peixes, que iscar ou pela boca ou pelo dorso do
peixe, para que ele fique vivo e não perca o movimento. No caso de camarão, o
anzol deve ser colocado na cabeça, na parte logo atrás em direção à ponta
do intestino. Assim, o camarão fica vivo e não perde os movimentos. Na cauda
nunca deve ser iscado, pois é com ela que o camarão nada.
Particularmente,
nós achamos que sorte não existe em pescaria. Senão vejamos: coloque-se
frente a frente um veterano e um novato, e que a pescaria aconteça em local de
conhecimento dos dois. Por certo o pescador veterano se sairá melhor no
confronto. Dizer-se que um pescador pesca mais porque tem sorte é praticamente
uma heresia. Antes de sorte, pode ser que esse pescador conheça profundamente o
peixe que está pescando, seu material de pesca é o correto, suas iscas são as
ideais, o local é o melhor para peixes daquele tipo, etc. Evidente está que,
se alguém pega mais peixe que nós, ele é também um pescador melhor, apesar
de ser duro admitir tal hipótese. Mas, com certeza, sorte não é. Seria mais
ou menos como dizer que o Senna ganhou corridas por sorte.
Com
certeza é este um dos assuntos mais polêmicos no nosso esporte. Vamos dar
nossa opinião e explicar o porquê de dizermos que a lua não influi
absolutamente no resultado de uma pescaria. Começamos pelos famosos calendários,
que dizem que a lua cheia é ótima; quarto minguante, regular; quarto
crescente, boa e que a lua nova é neutra. Ora, então o pescador amador é um
felizardo, já que lua ruim não é citada. Então, como explicar que mesmo
quando a indicação é de uma lua ótima, fazemos uma péssima pescaria? Pois
bem, em nossa opinião, em água doce a lua não influi absolutamente nada na
pescaria. No mar, a lua tem muita influência é nas marés e estas sim, de
acordo com a movimentação e altura, determinam melhores ou piores períodos de
pesca. Dizer que ela influi diretamente na pescaria é dizer uma meia verdade.
Isto porque em uma "lua excelente" poderemos fazer uma pescaria péssima,
pois contra o "poder da lua", estão os ventos, as ressacas, a pressão
atmosférica, etc, que decidirão o resultado da pescaria.