OS
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| UNIR-VERSOS NO AMOR | MONTAR O JOGO |
| FILHA DO CEARÁ | À MORENA |
| CHORO | GIRAR AO SOL |
| A PALAVRA DE TODOS I | A PALAVRA DE TODOS II |
| A PALAVRA DE TODOS III | A PALAVRA DE TODOS IV |
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Nos intermináveis caminhos da vida Me encontro na noite perdida dos tempos, Na solidão dos amantes num quarto de parede
garrida, Que em nada orna, colore ou verseja meus
pensamentos. É sobre meu leito no qual descanso da lida Que procuro você e nem consigo dormir sem sê-lo
solidário; Afasto-me em silêncio à procura da minh'alma
translúcida Vendo a mutilação paradoxal do amor sem
intermediário. Atento ao equilíbrio, tal insólito e sectário, Observo estarrecido a inabitual cessão Onde os extremos paralelos não mas se tocam, são; Nesse desatino o destino muda-me de cenário Petrificando-me ao
medo da insegurança pálida Por querer vencer ao invés de cantar aos amantes um crescer à
vida. |
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Gostar pra quem se sabe gostar De ninguém que está afim Faz do sonho uma ilusão ruim De conhecer a vitória e não poder apostar. São as peças monitoradas de um quebra-cabeça Que aos poucos desviadas vão-se montando Na história da magia onde alguém sabe contar Mas já agora espalhadas estão à beça. Peças daqui e dali, outra alhures e acolá... Aos poucos dão formas surgindo aleatória Paisagens nos pensamentos a rolar. Mas a vitória que se perde na História É uma derrota só do mundo de cá Pra quem não vê os escritos de Lá.
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Ó Nena, bela e adormecida Estás em meu coração, no meu seio Implantada no amor que anseio Ferindo-me no íntimo, alma e vida. De antanho em antanho Te vivi com antalgia; Nena meiga na demagogia Vives-me de um jeito manho. Muitas em minha vida passaram Deixando pouco ou mui de mim levaram Quando não passaste, paraste e ficamos. Pertences ao ceará, de quem és Filha Teu perfil de
amor-menina me trilha O espírito mortificado no qual gozamos.
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É nesta carne macia Que escorre o doce mel Dum amor ou dum fel Mas que ao coração inicia. Vais das meninas dos olhos Teu tamanho maduro Que aquece no escuro Meu corpo em ferrolhos. Em teu aclive o delírio E no declive o fogoso brilho Que ascende na saliva louca do desejo Arrebatando em belos cheiros De perfume e sabor
brasileiros, Morena, de tua boca no beijo. |
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O Espírito se agita, O Espírito se comove Na dor que não grita, No amor que me move. A deploração vem
gemendo Na fibra que arrebenta
meu peito, Causa d'alegria,
pecado ou sofrimento Duma dor não sentida
em meu leito. No sorriso, olhos de
tristeza Que na menina
expressam a beleza Do brilho
encandescente do ouro; E pela sorte de tudo
que exprimas, Gerando o ardor na
formação das lágrimas Do sentimento tão belo a um choro. |
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Girassóis juntos Ao sol se guiam Quando a sós, Sol e horizonte giram. À luz do Sol Girassóis Florescem o dia todo, A sós ao aquecer Do Sol todo dia. Mas os Girassóis, Ao Sol girar, Não gira o Sol. Gira ao Sol Os Girassóis Ao Sol girar. |
Girar
ao Sol
É
ser um |
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A PALAVRA DE TODOS
CURIOSIDADE
I
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Nela tudo significa E de tudo se pode
dizer, Desde uma afirmativa A um nada a fazer. Se se usa pra humilhar Ou mesmo prum
esquecer, Seja pra significar Ou por costume ter. Não há quem não
possa falar, Nem mesmo reter da memória Quando se fica a
pensar. Até pra não escrevê-la
é difícil, Por ser desconhecida
sua história E até mesmo o seu ofício. |
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CURIOSIDADE II
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Ora ela é escória Ora rica em muito
artifício; Se fala na oratória Propalada em todo comício. Em todo livro ela
existe, Quer documento,
rabisco e ofício; Ninguém a risca, nem
percebe e persiste Arrastando escritos em
seus rodos Seu valor está na
frase que a aliste, Por ser uma palavra de
todos E que a tudo descreve
e revela. Já sabes de qual
palavra falamos?! Se já? podes falhar;
portanto, dê uma olhadela; E pra retirar sua dúvida, prossigamos... |
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REVELAÇÃO
I
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Coisa com coisa Coisa nenhuma se diz, Pois quando a coisa tá
feia Não se sabe a coisa
que é. Coisa, mas que coisa! Coisa essa que não há, Pois quando a coisa
nivela Já se sabe que a
coisa vai dá. Se a coisa é barata, Que coisa será? Ou será que aí tem
coisa? Coisinha é coisa séria Usa a coisa, vive
coisando miséria E faz da coisa, uma coisa! |
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REVELAÇÃO
II
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Do latim causa
varia-se a cousa. Daí vem as palavras:
coisa e coisas; Verbete mui usado que
todos ousa Aplicar a tudo e a
coisas e loisas. A coisa de pouco tempo
cria tino, Já a coisa do
arco-da-velha, que é rara, São todas posta sobre
a lousa; Pra não dizer ou
fazer coisas com coisas. Isto não é lá
grande coisa, senão uma coisa cara, Pois leva a uma coisa
incontrolável, ao desatino; Nisto há alguma
coisa, que não é de menino. E aí, sim, é que lá
vão coisas: Pois a coisa julgada
é a coisa pública de cara Porque sabe-se que aí é que a coisa fia fino. |
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REVELAÇÃO
III
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A coisa é séria; Mas coisa nenhuma faz
espantar. Pois são coisas da
vida, Coisas que hão de
mudar. Da coisa, o que posso
falar Se a coisa tiver de
pegar? Coisa nenhuma irá
bloquear!? Não! De todas apenas
uma: A coisa-feita, que
nunca tem coisa. Mas a coisa tá sem
altura E fora de nível a
coisa não tem lugar. Porém, pensando na
coisa-em-si, Coisa nenhuma fará
esquecer Que "coisa" existe é pra permanecer. |
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REVELAÇÃO
IV
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Este substantivo
feminino parece nada esquecer, De tudo quer
significar em seu diverso e amplo relato; Nem aquilo que existe
ou pode existir e vir a ser, Nada fica de fora, nem
objeto inanimado, realidade e fato. Seja negócio ou
interesse que se tratar Acontecimento, ocorrência
ou caso, Um empreendimento ou
uma empresa de poder, Quer ser assunto, matéria,
causa e motivo a si atar. Mistério, enigma, que
ninguém entende, um acaso; Perda dos sentidos,
indisposição ou mal-estar, Troço e o troço do
baseado que faz ao vício conter. E até o diabo ou
mesmo alguma coisa feia que faço, Coisa quer, tem a ver
ou o que não se quer, deseja comunicar; Coisa tem força de lei nos limites das expressões querendo
romper. |
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REVELAÇÃO
V
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Mas, fica sendo uma
coisa no ar, Palavra vazia sem
coisa pra dar, Pobre coisa no rico
vernacular; Esta rica palavra do
pobre coisar. Mas o que coisa quer
significar? É só dissílaba que
em tudo está? Será coisa-boa ou será
coisa-má? Uma coisa é evidente,
assim a coisa dá Coisa pra lá e coisa
pra cá, Pode ser coisa que dá
motivo ou mal-estar; Pois coisa de pouco
tempo é coisa a se julgar. Se se coisíssima
nenhuma coisificarmos a coisada, Qual o valor ou
significado que a coisa nos dá? Bem, "coisa" é pública e todos querem falar. |